Uma pesquisa realizada pela SulAmérica Saúde apontou que as trabalhadoras brasileiras são mais estressadas que seus colegas de escritório. Os resultados mostraram ainda que as mulheres são mais sedentárias que os homens.
Entre 2003 e 2007, a empresa avaliou a saúde e o estilo de vida de 29.085 associados espalhados por 12 estados e 160 empresas. Deste total, 42% dos entrevistados eram mulheres.
Segundo o estudo, 71,9% das entrevistadas afirmaram ser sedentárias, enquanto a mesma resposta foi dada por 57,9% dos homens. Além disso, 51% das mulheres participantes da pesquisa disseram ser estressadas. O número de homens que responderam sofrer de estresse ficou em torno de 28%.
Os índices sofreram poucas alterações ao longo dos cinco anos de pesquisa. O pico de sedentarismo relatado pelas mulheres, no entanto, aconteceu em 2006, quando foi apontado por 74% das participantes.
Os especialistas da SulAmérica acreditam que a situação relatada pelas participantes da pesquisa tenha relação com as pressões da vida moderna. Os autores do trabalho ressaltam que os dois índices altos dos problemas que interferem na qualidade de vida das pessoas sejam conseqüências da dupla jornada de trabalho das mulheres. Além de exercerem vários papéis, a mulher atual é mais sedentária.
Mais um problema apontado pelo levantamento são os hábitos alimentares mantidos pelas mulheres, que acarretou em aumento das taxas de colesterol e sobrepeso das entrevistadas. De 2004 a 2007, os casos de colesterol alto passaram de 14,4% para 26%. No mesmo período, o índice de mulheres com sobrepeso subiu de 27,1% para 34,7%. Entre os erros revelados na alimentação estão a falta de horário para fazer as refeições e o consumo de pratos rápidos e de má qualidade nutricional.
Fazer as refeições em horários regulares, reduzir o consumo de alimentos rápidos ou semi-prontos e fazer percursos a pé, sempre que possível, são hábitos que devem fazer parte da rotina. Pequenas mudanças diárias podem fazer grande diferença na saúde , aconselha a cardiologista Andréa de Medeiros Matsushita.
A pesquisa detectou outro agravante para a saúde feminina: a população entrevistada não tem uma rotina médica preventiva adequada. Cuidados para se precaver contra o câncer ginecológico e de mamas, por exemplo, são negligenciados. Geralmente, mulheres com mais de 40 anos não freqüentam outros médicos além do ginecologista, como cardiologistas ou clínicos gerais, para realizar exames de rotina. Isso demonstra a falta de cultura preventiva , fala Loreta Moraes, ginecologista e obstetra.